Poze do Rodo e Oruam são alguns nomes do rap que recentemente foram presos por supostamente fazer apologia ao crime em suas letras. Casos como esses têm gerado debate sobre os limites da liberdade de expressão no gênero. Após se apresentar com Rael e FDC no palco do João Rock em Ribeirão Preto no último sábado (14/6), Rincón Sapiência comentou a repercussão dessas prisões e o que considera uma tentativa de criminalizar esse tipo de música.
Questionado pelo Metrópoles sobre o estado atual do rap, o cantor explicou que o gênero tem ganhado consistência e alcançado um público cada vez maior. No entanto, isso tem incomodado algumas pessoas. “O grande detalhe é que muitas figuras influentes, com pensamentos antiquados, conservadores, preconceituosos e racistas, ainda têm significativa influência em áreas como comunicação, legislação e outras”, declarou.
Rincón enfatizou que “os números não mentem” e destacou que os artistas de rap contribuem significativamente para a economia, empregando cada vez mais pessoas. “Esses artistas perseguidos têm obras com amplo alcance, gerando receita através de acesso, reproduções, royalties e execuções públicas. Tudo o que possuem é resultado do trabalho artístico deles, sem qualquer associação a algo além da arte”.
Rincón explicou que esse tipo de repressão antes recaía sobre o samba e, hoje, atinge não só o rap, mas também o trap e o funk. “A gente lamenta muito, mas nunca foi diferente, infelizmente. Para mim, o rap, o que a gente faz, nunca foi dissociado da luta. A gente não precisa ter a luta explícita na letra, na arte, porque ela já está na vivência. Sempre vai ter alguém tentando impedir a nossa caminhada, tentando impedir que a gente faça o que sabe fazer”, afirmou.
O artista também deixou um alerta para os músicos mais jovens. “Por mais que estejam conquistando tudo isso — o dinheiro que têm, a roupa que vestem —, eles precisam se estruturar intelectualmente, de outras formas, para não serem negligenciados da forma como está acontecendo”, completou.
Rincón se prepara para lançar seu novo álbum, intitulado Corpo Preto. Animado com o projeto, que descreve como o mais maduro de sua carreira, ele destacou a força simbólica e a seriedade do nome escolhido.
“Ele fala dos lugares que o corpo preto pode representar, ocupar e sonhar. Eu sou um cara que fala de muitos temas: afeto, curtição, dança, diversão, questões sérias… e tudo isso ganha outro peso quando você contextualiza que parte de um corpo preto. Um corpo preto se relacionando afetivamente tem seus detalhes; um corpo preto lidando com dinheiro, com redes sociais — tudo isso tem seus detalhes”, concluiu.








