Carlos do Val construiu sua carreira a partir de uma trajetória pessoal que une esporte de alto rendimento, superação e aplicação de conhecimento científico. Presente no meio esportivo desde a infância, ele foi um dos cinco melhores tenistas juvenis do Brasil aos 18 anos, participou do circuito profissional da ITF e competiu na NCAA Division 1 nos Estados Unidos, experiência que lhe deu contato direto com as demandas físicas, mentais e nutricionais do alto desempenho.
A vivência internacional também incluiu momentos de treino com alguns dos maiores nomes do tênis mundial, como Novak Djokovic, Roger Federer, Stan Wawrinka e Feliciano López, no torneio de Indian Wells. Essa conexão direta com atletas de elite ampliou sua compreensão sobre a importância de uma nutrição estratégica para atingir e manter o desempenho máximo em cenários competitivos.
Após atuar como recrutador de atletas universitários e perceber, na própria vida, os desafios do emagrecimento na adolescência, Carlos decidiu se aprofundar em Ciências da Nutrição, graduando-se em 2020 no Brasil. Em cinco anos de consultório, atendeu mais de 1.000 pacientes, com foco em saúde, composição corporal e performance esportiva.
Hoje, ele cursa Mestrado em Cinesiologia e Ciências do Exercício (Exercise Physiology and Kinesiology) nos Estados Unidos, aprofundando estudos sobre metabolismo, fisiologia do exercício e otimização nutricional aplicada ao esporte.
Para Carlos do Val, a nutrição no esporte de alto desempenho é essencialmente estratégica. “Planejar a ingestão de energia e nutrientes de acordo com a carga de treino, a fase da temporada e o objetivo individual é o que realmente diferencia um atleta comum de um atleta de resultado”, afirma.

Carlos do Val
Ele destaca quatro pilares da nutrição esportiva de alta performance:
- Equilíbrio energético e periodização alimentar: garantir energia suficiente para treinos intensos, evitando déficits prolongados que comprometem recuperação e desempenho.
- Distribuição adequada de macronutrientes: proteínas de qualidade para síntese muscular, carboidratos para abastecer treino e gorduras saudáveis para funções hormonais.
- Qualidade dos alimentos: foco em alimentos reais e densos em nutrientes, evitando soluções milagrosas.
- Individualização: cada atleta responde de forma distinta, e ajustes finos são necessários para otimizar adaptação.
Nesse contexto, Carlos também aborda um tema bastante questionado no meio esportivo: a suplementação com BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada). Segundo ele, quando a dieta já é hiperproteica e bem planejada, a suplementação isolada de BCAA não traz benefícios adicionais significativos para hipertrofia, performance ou prevenção de perda de massa muscular.
“A literatura científica atual aponta que, em dietas com ingestão proteica adequada, os BCAAs isolados não melhoram adaptações ao treinamento ou promovem ganhos adicionais de massa muscular além do que a alimentação já oferece”, explica Carlos. Estudos sistemáticos identificam que, embora os BCAAs possam modular aspectos como a percepção de fadiga ou redução de dores musculares em alguns contextos, seus efeitos ergogênicos são limitados ou negligenciáveis em atletas com nutrição adequada.
Por outro lado, pesquisas sugerem que a manutenção de massa magra em estados de déficit calórico pode ser parcialmente favorecida pela ingestão de aminoácidos, mas não necessariamente pela suplementação isolada quando a ingestão global de proteína já é alta.
Para Carlos, a suplementação deve ser direcionada a casos específicos e individualizados, como em dietas com ingestão proteica insuficiente, restrições alimentares ou necessidades clínicas determinadas por um profissional de saúde.
Com uma trajetória que ignora atalhos e abraça método, ciência e prática, Carlos do Val consolida sua atuação como um dos profissionais de referência quando o assunto é nutrição para treino de alta performance e resultados sustentáveis.

